Dezembro 1, 2006

Eu estou MORTA. Mas sempre soube o que seria morrer em novembro. A morte é mais longa quando se morre de amor.

ANDRÉA MARIZ (c) 6:07 PM

Novembro 20, 2006

O mundo é todo dor quando visto de cima. Mas tem um lado bom. Quando escorre, é arte o que ele forma. A dor é imaterial, mas chega tão palpável que me faz pensar o porque de não tirá-la de uma vez.

ANDRÉA MARIZ (c) 9:21 PM

Dezembro 10, 2005

See me, feel me, touch me, heal me.

O que possa de mim ser dito antes que se complete o ciclo? Que sou o que de mim deixei, no coração e na alma de alguém.


Todas as saudades vivem num espaço apenas, porque todas as saudades são uma só. Repare se não. Repare se a tristeza que se sente por um momento que passou, e que não volta, não é a mesma que se sente de um momento que, nesse mundo, ainda não aconteceu? Vontade de amor é igual à saudade de amor. A gente conhece o sabor, sabe o cheiro, o doce que tem, a gente sabe se é macio, e deseja que seja do mesmo jeito da passada a aventura que ainda não veio. Talvez mudando o final. Mas todo fim é igual, todo mundo é sozinho, ainda que pelo caminho, passeie de mãos dadas pela ilusão leve. E acordar, é enfim, sentir essa saudade, do que passou, e do inexplicavelmente não acontecido. Tudo fica quando a gente vai. O coração é que voa junto. Só ele.


Park Avenue at Night, NYC - Henri Silberman


Outros Planos
(Cláudio Venturini/Sérgio Vasconcellos/Osório Santos/W.Cedotti)

Olho pra trás, diminuo a velocidade
A verdade simplesmente não existe
Preciso nos sentidos, um milagre do corpo
Idéias ao entardecer

Faço planos, crio mundos
Desses de possuir e não ter
Nas idéias os sentidos
Tudo que a gente pode ser

Não tive tempo pra dizer
Aos olhos que eu nunca esqueci
Desculpa só mais uma vez
Nosso encontro foi talvez

Venha ficar comigo
Tudo pode acontecer

Olho pra trás diminuo a velocidade
A verdade simplesmente não resiste
As idéias, os sentidos
Tudo que a gente pode ser

Encontrada no último disco do 14 Bis

ANDRÉA MARIZ (c) 8:06 AM

Novembro 2, 2005

Wiccan - Fotografia da portuguesa Misery
A frase "Viver é muito perigoso" é repetida diversas vezes por Riobaldo, personagem de João Guimarães Rosa, em Grande Sertão - Veredas

ANDRÉA MARIZ (c) 10:36 AM

Outubro 31, 2005

Piano Legs - Ben Christopher
Que fique o registro que se meu coração bate, é porque não pode cantar.

ANDRÉA MARIZ (c) 4:06 PM

Setembro 4, 2005

Programinhas de fim de semana: O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei Versão Extendida (quatro horas e meia de puro deleite, valeu a pena esperar :) e Sin City, nada menos que PERFEITO, com uma estética maravilhosa, uma história excelente muito bem adaptada dos quadrinhos de Frank Miller, som de primeira, produção de primeira, elenco bem escolhido (não atores excelentes, mas atores que couberam perfeitamente em seu papel), nota dez, com entusiasmo.



Na vitrola, conhecendo o mui recomendado por deus e mundo John Mayer. Baixei a discografia inteira, mas devo confessar que até agora, minha nota é 6. Excessão de uma baladinha gostosa, Your Body is a Wonderland, que tem um balanço muito gostoso. Além dele, Paula Toller, uma versão do Lulu Santos da música PopStar, inicialmente gravada pelo João Penca, e Sade.

Lendo o belíssimo Desmundo, de Ana Miranda, uma descoberta que me entusiasmou.

A semana lá evém, caro leitor, e escreverei algo que valha o nome do meu Versamentos enquanto passo por ela.

ANDRÉA MARIZ (c) 7:17 PM

Agosto 30, 2005

Setembro é o mês do Jazz em Minas Gerais. Nos dias 31/08 e 01 e 02/09, tem o festival Jazz Gerais no Palácio das Artes (eu ganhei ingressos! :) Fica o convite para quem é daqui, um programa excelente e baratinho. Já nos dias 15, 16 e 17, em Ouro Preto, vai ter o Festival Tudo é Jazz, que vai ser tudo de bom. Vão, Cris? Vão, Thelminha? Vai ser bom, gente!




ANDRÉA MARIZ (c) 8:11 PM

Agosto 28, 2005

É uma sombra, um guardado íntimo, uma mistura estranha de sensações. Olhares vazios, mas tão doces... Era verdade que existiam os anjos, mas na forma que a gente não pensa. São frios. São vivos os anjos, e a vida que a gente leva é cega demais para eles. Eu te encontrei na rua quando pensava nos anjos, e cruzei os braços, fiz cara de adulta e chorei. Chovia, e o ar tava ácido demais para parar por ali, eu te xinguei e disse que te amava. Batom endurecido na boca, parecia uma criança com as coisas da mãe. Mesmo assim, a gente foi. Meia noite é sempre mais fácil dizer, e mordi você para que me ouvisse, eu cruzei de novo os braços. É tarde. É silêncio, boca crispada, olhar de ódio, compreensão. É vivo, ao menos.



ANDRÉA MARIZ (c) 6:52 PM



Lendo: Grande Sertão - Veredas, João Guimarães Rosa. Estou lendo para o vestibular. Não sei se é pela obrigação de lê-lo, mas o livro me parece INTERMINÁVEL. Tem semanas que estou lendo e não cheguei à página 50 :(

Ouvindo: Kill Bill Vol. I. É a sensacional trilha do filme, nota 10. Mas veja o filme primeiro, ou não fará sentido para você.

Cinema: Sin City. Assistirei amanhã, se o bom Deus me permitir.

Navegando: UFMG. Por isso estou tão ausente ultimamente. :(


ANDRÉA MARIZ (c) 4:04 PM

Julho 29, 2005

Desenredo
Boca Livre
Composição: Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro

Por toda terra que passo
Me espanta tudo o que vejo
A morte tece seu fio
De vida feita ao avesso

O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego
Eu me enredo
Nas tranças do teu desejo

O mundo todo marcado
A ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo
A morte é o fim do novelo

O olhar que assusta
Anda morto
O olhar que avisa
Anda aceso

Mas quando eu chego
Eu me perco
Nas tramas do teu segredo

Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe

A cera da vela queimando
O homem fazendo o seu preço
A morte que a vida anda armando
A vida que a morte anda tendo

O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte, indefeso
Mas quando eu chego
Eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo

Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe


"Viver é muito perigoso..." (João Guimarães Rosa)

ANDRÉA MARIZ (c) 5:12 PM

Julho 1, 2005

Ao mundo como a ti mesmo
Ao colo como ao consolo
Á vida, como brincando
Ao sonho como noitando
A boca como ao mundo
O colo entre o beijo e a boca
A vida assim engolindo
A língua no céu dançando
O mundo a buscar o corpo
O colo e o consolo no beijo
A vida beijando a noite
A noite trazendo o sonho
A busca, a boca, o beijo
Bailado bando bastando

ANDRÉA MARIZ (c) 8:02 PM

Junho 1, 2005

Me falta a força, mas não a vontade de voar. Anjos são leves. O ar é leve, e eu talvez seja também. Sou mais ar, algodão, fibra embaraçada. Nada leve, agora. Leve-me, agora. É um sem-ar, um tremer parado, uma tensão sem vir. O patético humano. Eu já não sei. Perdoem.





Ouvindo:

RENAISSANCE - Prologue

Spare Some Love

Shadows darkness, follows quiet shadows
You walk beside a shadow
Strangers, people passing constant strangers
You walk beside a stranger

Spare some love
Why won¿t you spare some love?
Share your love
Why don¿t you share your love?

Sadness finds the lonely silent sadness
Finds them hard with sadness
Seeking growing you will find with seeking
Knowing you are seeking

Spare some love
Why won¿t you spare some love?
Share your love
Why don¿t you share your love?

Spare some love
Why won¿t you spare some love?
Share your love
Why don¿t you share your love?

Seasons, nature¿s pattern of the seasons
Changing with the seasons
Loving peace will come to all with loving
Living lives with loving

Spare some love
Why won¿t you spare some love?
Share your love
Why don¿t you share your love?

ANDRÉA MARIZ (c) 10:30 PM

Maio 26, 2005

"dum loquimur, fugerit invida aetas: carpe diem, quam minimum credula postero"

"Enquanto falamos, foge o tempo inimigo: aproveita o dia sem acreditar o mínimo no amanhã."

(Horacio; Odes, I, 11, 7-8)

Ele se matou antes de completar 26. Mas enquanto vivo, soube viver. Um abraço, Mateus.

ANDRÉA MARIZ (c) 12:55 PM

Maio 24, 2005

pára, Princesa, pára com esse seu jeito de me machucar, eu não quero também te deixar assim, desse jeito que eu tou, eu não quero te ver à noite, escorrida por aí como um cão vadio, eu não quero te ver sem mim, eu não vou poder, Princesa, entende, sai de mim com essa sua maldade, me chama outra vez pra perto, deixa eu tocar seu ombro, deixa eu olhar você, eu não quero te ver assim, entende, eu não vou poder, mas pede, Princesa, pelo amor dos santos, pede pra eu não ir embora, ou não vai você assim, com essa cara de quem nem liga se eu tou morto ou se eu tou vivo, por se eu tou, menina, você também está, se eu tou, você também vai estar, assim comigo, de um jeito ou de outro, princesa, não me pede pra ir embora, só me deixa aqui assim, lambendo meu próprio desamor, mas lambendo e olhando você, me deixa pelo menos te ver, Princesa, ou a gente não vê mais ninguém




ANDRÉA MARIZ (c) 5:33 PM

Maio 21, 2005

Lendo: Grande Sertão - Veredas - João Guimarães Rosa

"Em termos, gostava que morasse aqui, ou perto, era uma ajuda. Aqui não se tem convívio que instruir. Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. Viver é muito perigoso... "

Ouvindo: Histórias Reais, Seres Imaginários - Nenhum de Nós

Eu Não Entendo

Composição: (thedy Corrêa)

Por que você não disse que viria?
Logo agora que eu tinha
Me curado das feridas
Que você abriu quando se foi
Por que chegou sem avisar?
Eu queria tempo pra me preparar
Com a roupa limpa, a casa em ordem
E um sorriso falso pra enganar
Eu não entendo a sua volta
Eu não entendo a sua indecisão
Num dia sou seu grande amor
No outro dia não, não, não
Por que a surpresa da sua volta?
Justo quando eu tento vida nova
Você vem pra perguntar
Se tudo que eu sentia acabou
Você até parece um vício
Que largar é quase impossível
Exige muito sacrifício
E quando eu me considerava limpo
Vem você pra me oferecer mais
Vem você pra me oferecer mais,mais, mais

Navegando:
Filofia Virtual
Vestibular UFMG


ANDRÉA MARIZ (c) 10:52 AM

Maio 13, 2005

O melhor de saber as verdades é que depois delas, mãezinha, nada vem. E a gente fica assim, se prazeirando de olhar as coisas ao redor, vendo mesmo a substância de que elas são feitas, e a nossa fé burra no fato de elas existirem. Tudo inexiste no seu colo, mãezinha, na garrafa de conhaque quente, no mel do teu sabor. O resto é invenção besta de gente que não sabe viver.


ANDRÉA MARIZ (c) 9:34 PM

Abril 21, 2005

No fim, só isso. Fundo de vinho no copo, olhos inchados, segredos mortos, assassinados. A verdade, ô moça, é sempre pior.

ANDRÉA MARIZ (c) 6:04 PM

Abril 10, 2005

Copy and paste tradutor de espírito:

...tenho visto intelectuais demais ultimamente. me canso fácil dos preciosos intelectos que precisam cuspir diamantes toda vez que abrem as suas bocas. eu me canso de ficar batalhando por cada espaço de ar para o espírito. é por isso que me afasto das pessoas por tanto tempo, e agora que estou encontrando as pessoas, descubro que preciso voltar para minha caverna. existem outras coisas além de mente: há insetos e palmeiras e trituradores de pimenta, e eu vou ter um triturador de pimenta na minha caverna, portanto riam.
Charles Bukowski, Notas de um velho safado

"Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor." (Eclesiastes 1:18)



ANDRÉA MARIZ (c) 8:48 PM

Março 30, 2005



- Então, nada sobrou?
- Eu não disse isso.
- Nega?
- Sobrou a rotina da gente junto, sobrou o tédio.
- Ah, não, tédio não. Tédio é ausência de sofrimento, e eu tou morrendo, e você também, eu sei.
- Então sobrou o sofrimento?
- Não. O sofrimento veio porque nada sobrou.
- Mas ele está aí, o sofrimento.
- É conseqüência, não é causa.
- E então, nada sobrou?
- Foi o que eu disse.
- Mas e o que a gente viveu?
- A gente viveu muita coisa...
- Então, se não sobrou nada, pra onde foi tudo isso?
- Ainda não foi, tá bem aqui, bem grande na minha cabeça.
- E o que vai acontecer com essa nossa história?
- Vai ficar pra trás quando eu fechar a porta atrás de mim.
- Você vai olhar pra trás?
- ...
- Por que não vai olhar pra trás?
- Não quero que você me veja chorar, porra!
- Meu Deus...
- Meu deus o quê, meu Deus?
- Eu não entendo você!
- Olha...
- Diz que não vai embora
- Me pede pra ficar
...


ANDRÉA MARIZ (c) 9:28 PM

Março 18, 2005

Post grandão para compensar a ausência incompensável de outros posts

I
Fortes como frios o aço do céu e o azul do dia
Contraditórios como certos a prata do riso, o concreto do ar
Densa é a morte nesses dias calmos
Como calma é a vida nesses dias mortos
Como em cor é o opaco esperado do tempo
Como lento é o passar dessas poucas horas
E contado à toa esse tanto tempo
Esse tão pouco tempo
Que corre mais do que a gente
Que sobra pela tarde afora
Que escorre assim das mãos

II
Os passos perderam
O paradeiro sobre as pedras.
Como parca promessa, pereceram.
Os braços beberam
Da bondade da boca
Se bastando em beijos belicosos.
Os passos beijaram as pedras
A boca também se perdeu.

III
Da janela via o verde
Velha junção de cores
E céu, espreita o girassol

IV
Forçado anoitecer, sangue do sol
Solilóquio da noite que chega
Um rasgar de fleumas
Uma estrela nascendo em bemol



ANDRÉA MARIZ (c) 9:00 PM

Março 9, 2005


Perdoem-me. Eu ainda não pude.

ANDRÉA MARIZ (c) 1:10 PM

Março 4, 2005

Quem vai?

ANDRÉA MARIZ (c) 8:58 PM

Fevereiro 18, 2005

Bilhete

Ando pensando em como a vida dá voltas para estacionar sempre no mesmo lugar. Penso, penso, e quanto mais penso, maior o talhe de mágoa, mais vermelho. Cada um é preso à impossibilidade que adota para si. A sorte é encontrar alguém cuja impossibilidade não seja você mesmo. Ou poder fazer do impossível um poema. Tem passado tempo demais nesses dias. Não sei se é a neve, tudo tão branco, não sei se é a verdade que me chega.Sob o signo desta claridade toda, às vezes não sei o que dizer. Eu me sinto velha. Me sinto pouca, de uma calma incômoda que não me pertence. Não demora muito, a neve derrete, a cidade vai ficar alaranjada e eu ainda não saberei o que fazer. Vamos então fingir que eu cheguei agora, que a tua alegria me basta, e só isso me leva. Eu sempre acho que teu medo, em mim, vira distância, e por mais que eu olhe o mar, a distância não se cansa de mim. Por causa da neve e dos temporais, não há luz, e as velas estão racionadas. A minha última está se acabando, pavio e luz logo morrem. Com elas, este bilhete, sem maiores intenções. Tanto a dizer, tanto...




ANDRÉA MARIZ (c) 4:46 PM

Fevereiro 17, 2005

O Jaguadarte
Lewis Carroll


Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
"Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!"
Ele arrancou sua espada vorpal e foi atras do inimigo do Homundo.
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.
E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrelfiflando atraves da floresta,
E borbulia um riso louco!

Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para tras, para diante!
Cabeca fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.
"Pois entao tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!"
Ele se ria jubileu. Era briluz.
As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
(Tradução do "Jabberwacky" por Augusto de Campos)


Jabberwockky
(by Lewis Carroll)
'Twas brillig and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe.
All mimsy were the borogroves
And the mome raths outgrabe.
"Beware the Jabberwock my son!
The jaws that bite, the claws that catch!
Beware the Jubjub bird
And shun the frumious Bandersnatch!"
He took his vorpal sword in hand
Long time the manxome foe he sought
So rested he by the Tumtum tree,
And stood awhile in thought.
And, as in uffish thought he stood,
The Jabberwock, with eyes of flame,
Came whiffling through the tulgey wood,
And burbled as it came!
One, two! One, two! And through and through
The vorpal blade went snicker snack!
He left it dead, and with its head
He went galumphing back.
And hast thou slain the Jabberwock?
Come to my arms my beamish boy!
O frabjous day! Callooh! Callay!
He chortled in his joy.
'Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe.
All mimsy were the borogroves,
And the mome raths outgrabe.

- Desde a primeira vez que ouvi esse poema, uma coisa não me sai da cabeça. Como foi que conseguiram traduzi-lo?

ANDRÉA MARIZ (c) 9:18 AM

Fevereiro 14, 2005

Quisera eu encontrar nestes caminhos algo que me valha em fé. Que de crível encontrado apenas morte em mim bastaria. Pudesse, tocaria com as mãos, a face, um eu inteiro inteiro o gesto desmedido em conforto e tristesse, e assim formasse no todo o grande mundo-coração, pois só dele de mundo e de mim há de viver. Cantasse, e como voz feita em flor abriria ali um além-vida de cantos, contos e mistérios. Ah, os mistérios, neles está o dedo da vida acreditada, dita verdade neste mundo e em outro. Mistérios e lábios e vozes em flor, as plantações etéreas e dóceis desta terra virgem viva e a-viver, colher enfim o pão que de mãos em semente no seio há de brotar. E abrir-se em mel sorrisos, sinceridades e brilhos, revoar de amigos hei de encontrar.


ANDRÉA MARIZ (c) 3:31 PM

Fevereiro 9, 2005

Davi, de Michelangelo

ANDRÉA MARIZ (c) 3:12 PM

Fevereiro 6, 2005

fica assim tão bela tua boca próxima, tão falsa essa minha sede, tão quente, ah, como eu queria poder saber o que a gente vê quando te olha, que tipo de fome te corrói, aposto, eu sei que é como a minha, essa nossa verdade tão seca, que sentido tem? eu nunca soube como abrir tuas terras, eu nunca sei das noites assim tão longas como esta, eu nunca fui assim, é essa sua cara, essa minha fossa, essa supérflua nitidez que eu acho que tenho quando te olho, mesmo sem nunca saber o que a gente vê


s. h. w. the ice age, Misery


ANDRÉA MARIZ (c) 1:05 AM

Fevereiro 1, 2005

Ah, os Andrés, esses meus Xarás!

O primeiro eu conheci há dois anos, e me veio como temporal. Era o André de Raduan Nassar, jovem, impulsivo, que perdeu-se, e à irmã, num amor por todos julgado impossível. O segundo, conheci por esses tempos, o André de Lúcio Cardoso. Também jovem, apaixonou-se pela mãe, e viveu o amor que nunca esqueceria. Como o primeiro, viu morrer a amada sem nada poder fazer.O terceiro André, eu conheço muito pouco, mas não despertou menos o meu interesse. Parece-me jovem, na lembrança do irmão. O terceiro André gostava de construir castelos de areia, enquanto seu irmão preferia escavar buracos no chão. O que não sai da minha cabeça é a explicação da terceira estória: "é tudo uma curva, irmão, buracos, castelo ou nada, uma curva sempre serão...".
O fato é que os três Andrés, desde que li o último, não me saem da cabeça. E eu, depois das longas férias, indico ao meu caro leitor, a leitura dos três.
André de Raduan: Lavoura Arcaica
André de Lúcio Cardoso: Crônica da Casa Assassinada
Terceiro André: Texto "Na Areia", do Flávio Silveira.

Valem muito a pena. Um beijo, todo mundo.


ANDRÉA MARIZ (c) 3:16 PM

Dezembro 9, 2004

Estou em férias! Voltarei em Fevereiro...

ANDRÉA MARIZ (c) 11:05 PM

Novembro 24, 2004

revivi meu gozo em jóia, anjo meu, sente - eu sumo e ninguém toca, eu pego. cego é quem não acredita.

ANDRÉA MARIZ (c) 5:47 PM

Novembro 22, 2004

Encontro no Usina

Eu sei que a foto está escura, mas foi o que se pôde arranjar. Chris, eu, Leo e Thelma.


Amizades virtuais fazem mais sentido quando podem se converter em amizades de verdade, próximas. Este fim de semana, tive o prazer de aumentar meu círculo de amizades virtuais tornadas reais. Fomos a um passeio delicioso, eu, Leonardo, autor do Blog Acidez Crônica, que já conheço a dois anos, Thelminha, autora do Blog Bambu Oco, que eu conheço a mais ou menos um ano, e a Cris, autora do Blog Ser Viajante, que tive um grande prazer em conhecer. A Cris é uma menina linda, de sorriso fácil, voz doce, um abraço gostoso de amigo que a gente não vê há muito tempo, coisas que eu jamais iria saber dela se não a visse pessoalmente. Tivemos uma tarde pra lá de agradável no Usina, de muitas risadas (o senso de humor da Thelma é pra lá de refinado), histórias, gostos e opiniões.Autores Mineiro Um dos nossos assuntos foi o porquê de os autores de blogs mineiros não se comunicarem mais entre si, não serem mais unidos, nós achamos que isso poderia mudar. Criei este selinho aí, pra podermos nos identificar melhor. A partir daí, é procurarmos nos conhecer. O passeio teve uma boa surpresa, encontramos por lá o lendário Arnaldo Baptista, ex-baixista do Mutantes, e eu dei uma de fã, que sou mesmo, tirei foto, ganhei abraço e tudo, muito legal. Ficou desse encontro uma sensação muito boa, de que é só a gente querer que as coisas acontecem. E no que depender de mim, com relação aos amigos muitos que eu fiz aqui, elas vão acontecer. Um beijo todo mundo.


ANDRÉA MARIZ (c) 3:07 PM

Novembro 15, 2004

central, meu reino me protege, ausência combina tanto com estrela, sinhô, degrau com serpente, flor com areia, certas coisas nasceram para dançar com outras, veja só, borboleta dança, dança não, baila, promove festa no céu da boca, estala a cada gole de letra, cosquinha na ponta da língua, caneta ri quando faz borboleta, tristecer pena que não exista, que combina tanto com pôr-do-sol, tristecer tem cor de rubro, vermelhado de seis horas, dá pra ouvir a ave maria, tristecer vem antes de lua, mas logo se vai embora, tristecer nunca amanhece


Impression Sunrise - Claude Monet

...tristecer, pena que não exista, que combina tanto com pôr-do-sol...

ANDRÉA MARIZ (c) 11:21 AM

Novembro 10, 2004

Numa tarde assim, como velha tarde qualquer, um soluço de tempo alcançou seu destino e calou. Tardando, um tom de céu ainda existia, irônico, a testemunhar. De seu jeito, sangrando ao se despedir, rubro sol se foi deixando na boca um gosto de tempo que não passou, e ainda assim se perdeu, e perdidas a estátua, a folha e a moça, cada qual em seu lugar olhando o céu. E cada estrela aparecida em meio ao sangue do sol tornava-se lágrima, solidão vista de cima entre os pontos tingidos de prata. A estátua, em sua morte presente, enfeita a solidão da folha caída do tempo que para ela passou. A moça, olhando o fim, inevitável, pensa, e sorri quando sente o caminho molhado de estrelas a brilhar. O sangue do sol, rubro, o da moça, denso, o da folha, assim como a regar o que restava de tarde, de sangue, de sol.


ANDRÉA MARIZ (c) 12:18 PM

Novembro 9, 2004

Eu ia escrever um enorma texto justificando a volta do Versamentos, o blog que realmente eu amei fazer. Mas depois, pensei: Justificar por quê? Existe justificativa? Com certeza, não. Apenas a necessidade.


ANDRÉA MARIZ (c) 2:27 PM